• Dias 2 e 3 – CLT, um mini trampolim e um carrinho de compras

    Tive dias longos de trabalho.
    Daqueles que terminam tarde, atravessam todas as suas reservas de energia e finalizam com você funcionando no modo automático.
    Não passei por aqui ontem.


    O projeto de blogueira que vos escreve é, antes de tudo, CLT.

    Apesar do cansaço, segui firme no propósito.


    Não comprei nada.
    Nenhum clique impulsivo.
    Nenhuma justificativa criativa.
    Só fui ao supermercado comprar comida mesmo.
    E só.


    Começo a perceber que existe uma pequena satisfação silenciosa em conseguir dizer isso.


    Em um momento do dia, considerei seriamente comprar um mini trampolim.
    Aparentemente, minha cabeça decidiu que o equipamento seria fundamental para intensificar o meu projeto dois: o projeto maromba.

    Felizmente, o pensamento durou pouco.

    Sigo também aguardando a chegada do meu último pacotinho do Mercado Livre — uma lembrança dos meus tempos áureos de comprinhas, quando eu ainda não fazia perguntas difíceis antes de passar o cartão.
    Agora faço.

    Três dias (ou quatro, dia zero conta?)
    Nenhuma compra.

  • Dia 1 – Um livro e um celular sem bateria

    Ontem à noite, já oficialmente dentro do projeto, senti uma vontade grande de comprar um livro.
    Daquelas vontades silenciosas, sofisticadas, quase justificáveis.

    Um livro do Jung.
    Porque estou num processo de autoconhecimento brabo e, aparentemente, minha mente decidiu que a próxima grande virada da minha vida passaria por um carrinho da Amazon.

    Abri a descrição.
    Li comentários.
    Coloquei o livro no carrinho.

    E então aconteceu um livramento divino.
    Ou não.
    A bateria do meu celular acabou.

    A compra não foi finalizada.

    E confesso que, naquele momento, pensei: ainda bem.
    Porque eu já tinha postado o Dia 0.
    Ia ser uma certa trairagem comigo mesma começar esse processo falhando logo no início.

    Também lembrei, que tenho mais de 12 livros comprados que estão na prateleira.
    Intocados.
    Me olhando em silêncio.

    Lembrei também que coloquei como meta ler um livro por mês em 2026.
    E que, se eu for honesta, material para cumprir essa meta não falta.
    O que falta não é livro.

    O livro do Jung segue no carrinho.
    E vai ficar.
    Como um lembrete de que nem toda vontade precisa ser imediatamente atendida.

    Hoje não abri nenhum site de compras.

    Sobrevivi.
    Não comprei nada.

    Seguimos.

  • Este é um diário (e começou pela fatura do cartão)

    E, honestamente, ele nasceu por um motivo bem simples: minha fatura do cartão anda mais confusa do que meus pensamentos.

    Tenho parcelamentos de coisas que eu comprei, esqueci e, em muitos casos, nem lembro exatamente o que são.
    Um dos choques mensais é olhar a fatura e pensar: “o que exatamente é esse 12x de R$ 39,99?”.

    Porque na hora da compra a mente sempre ajuda:
    “Mas Milena, são só 12x de 39… teu salário paga isso aí.”

    O detalhe curioso é que vários “isso aí” juntos resolvem se encontrar no dia 01 de cada mês.
    E, de repente, eu nem quero mais abrir o aplicativo do banco.

    Com a chegada de 2026 (já com alguns dias de atraso, confesso) e aquelas resoluções clássicas de ano novo que todo mundo faz — você também, tenho certeza — combinei comigo mesma que esse ano seria diferente.
    Menos impulso, mais consciência.
    Menos carrinho, mais paz.

    Assim nasceu o desafio:
    Um Ano Sem Tralha.

    365 dias sem comprar coisas que eu não preciso para suprir algo que eu nem sei exatamente o que é.

    A ideia não é original. Inclusive, é assumidamente inspirada.
    Em 2011 acompanhei o blog da Joanna Moura, “Um Ano Sem Zara”, e agora, anos depois, um post aleatório no Instagram me levou de volta até ela.
    Descobri que ela tinha lançado um livro, comprei (ironia fina) e devorei em dois dias.

    Aquilo me deixou com uma sensação muito clara: talvez seja hora de começar a minha própria jornada.
    E cá estou.

    Criei algumas regras básicas para sobreviver a esse desafio, que explico melhor na página “Sobre o projeto”.

    Bem-vindos ao meu laboratório emocional-financeiro.
    Prometo tentar ser honesta.
    E, se possível, um pouco engraçada no processo.

Eu sou a Milena,

Trabalho há muitos anos com decisões e números e sigo aprendiz quando o assunto é escutar a própria mente.
Criei este blog para tentar fazer com meu dinheiro pessoal o mesmo que faço bem no trabalho: escolher melhor.

Com menos impulso, mais intenção e, se possível, menos parcelamentos.

Não prometo postar, mas vai que…